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Conversa com o ilustrador do livro, “A origem da Peteca”

Você já parou para pensar como a ilustração de um livro é importante para despertar o interesse e a curiosidade das crianças para a literatura? Mesmo antes da alfabetização, as crianças pequenas se encantam com lindas capas e adoram folhear as páginas dos livros, onde imagens, cores e formas as transportam para dentro do universo das histórias. Mais tarde, quando os pais lêem para elas ou quando elas próprias já fazem sua leitura, a presença das ilustrações nos livros literários despertam a imaginação, afloram sentimentos e possibilitam a construção de significados, como explica a coordenadora pedagógica da Educação Infantil da be.Living, Camila Maia.

“A ilustração é um convite estético para a criança se aproximar do enredo. É essa possibilidade de, visualmente, ir criando um cenário para esse enredo que ela está entrando em contato. É uma outra linguagem que a criança pode usar para fazer a leitura de uma história. Ela traz referências importantes não somente referentes à estética, mas com relação à modelo e diversidade”.

Pensando no papel significativo que a ilustração exerce dentro de um projeto literário e aproveitando que estamos no Literary May, vamos bater um papo gostoso com o Vktor Äijö, ilustrador do livro “A origem da Peteca”, que foi escrito pelo nosso querido professor de música Vinícius Medrado e que acaba de ser lançado na nossa programação literária. Confira!

bL: Como foi ilustrar “A origem da peteca”?

Vktor:
Foi muito divertido! Como todo o meu trabalho é inspirado nas manifestações culturais tradicionais, de todos os povos e, principalmente, inspirado na natureza, todo o processo de criação para esse livro foi muito prazeroso.

bL: O que te motiva a participar de um projeto de livro, como ilustrador?

Vktor: É sempre muito motivador olhar para as palavras e para as narrativas e pensar em transformá-las em imagens. Imagens que despertem a curiosidade, surpreendam os olhos de quem lê e que tragam a essência do que está sendo contado no livro.

bL: Quando você soube que seria um ilustrador?

Vktor: Quando percebi que não poderia passar muitos dias sem desenhar! De todas as artes que faço, entre elas música, canto, dança e teatro, o desenho é a que flui de maneira mais contínua e natural. É como um rio, uma correnteza incessante que naturalmente acabou se tornando uma atividade profissional. Apesar de ser uma profissão desafiadora e pouco valorizada no Brasil – como acontece com todas as artes, pois nosso país ainda é muito marcado pela miséria e pela ignorância, ser ilustrador é uma profissão que me faz muito feliz!

bL: Qual é a sua dica para crianças que gostam de desenhar e que possam vislumbrar esse dom como profissão?

Vktor: Digo para elas que nunca parem de desenhar! Enquanto crescemos, muitas vezes somos levados a crer que não sabemos desenhar bem, ou que nossa voz é feia pra cantar, que dançamos mal, que não sabemos tocar suficientemente bem um instrumento musical… Mas se essa é uma manifestação do seu ser, isso não existe. Meu conselho é para que se mantenham firmes pois as artes são expressões humanas naturais, todos fazemos arte naturalmente. É só continuar se lapidando, estudando, se aprofundando no tipo de arte (ou de artes) que você cria. Procure pessoas queridas que valorizem seu trabalho e não dê ouvido as que te dizem que é perda de tempo. A vida do ser humano é mais nobre do que apenas ter um monte de coisas e de só pensar em ganhar dinheiro. Precisamos “ser” humanos, precisamos respeitar nosso tempo e a nossa essência, precisamos ser generosos com todos, principalmente com a natureza.

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