A São Paulo Climate Week 2026, evento promovido pela Reconectta e pelo movimento Escolas pelo Clima com o objetivo de ampliar o debate sobre educação, sustentabilidade e emergência climática, reuniu representantes de diferentes instituições para compartilhar experiências e refletir sobre o papel das escolas diante dos desafios ambientais do presente. Nossa coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental, Gabriela Fernandes, foi convidada para compor a mesa “Práticas de Educação Climática nas Escolas” e compartilhar os caminhos que a be.Living vem construindo na educação climática.
Gabriela iniciou a reflexão propondo pensar sobre o que é necessário para que a educação climática aconteça de forma consistente dentro da escola. Em sua visão, esse trabalho não pode ficar condicionado à iniciativa de alguns professores e professoras mais engajados, nem aparecer apenas pontualmente, em projetos, datas específicas ou momentos de maior visibilidade do tema.


“Para que esse trabalho aconteça com potência, ele precisa ser sustentado por diferentes esferas da escola. Não pode depender apenas de uma iniciativa individual, mas de uma organização mais ampla, que dê condições para que ele se mantenha no cotidiano”, afirmou.
A partir da experiência da be.Living, Gabriela organizou essa construção em três dimensões: institucional, curricular e pessoal. A dimensão institucional diz respeito às escolhas da própria escola e à presença da educação ambiental em seu projeto. A curricular garante continuidade e progressão das aprendizagens ao longo dos anos. Já a pessoal está ligada à formação de educadoras e educadores, que precisam de repertório, acompanhamento e espaços de reflexão para sustentar esse trabalho com consistência.
Na be.Living, essa escolha aparece tanto no Projeto Político Pedagógico quanto no cotidiano. Está nos espaços de natureza da escola e em iniciativas que envolvem toda a comunidade, como a reciclagem de resíduos, a segunda-feira sem carne, a redução do uso de plástico e os cuidados com a horta e a composteira. Mas está também no currículo e na maneira como as crianças são convidadas a observar, investigar e se relacionar com o mundo.
“Para que a criança se entenda como natureza, ela precisa viver a natureza. A criança é a própria natureza em movimento. Ela experimenta a terra com as mãos, percebe a textura das folhas, aprende com o ritmo das estações, espelha-se nos ciclos vivos”, explicou Gabriela.
No Ensino Fundamental, essa perspectiva ganha continuidade em experiências como as assembleias mensais, os projetos de Ciências e a Mostra de Artes e Ciências, a MAC. Realizada semestralmente, a mostra reúne pesquisas científicas desenvolvidas pelas crianças e busca fazer com que a investigação do mundo resulte também em reflexão e ação sobre o planeta. O objetivo é articular aprendizagens fundamentais, como leitura, escrita, matemática, observação, levantamento de hipóteses e pesquisa, às questões sociais e ambientais que fazem parte da vida.
Essa construção também exige que a equipe educadora esteja permanentemente aprendendo. Na be.Living, a formação em educação climática e ambiental acontece com o apoio da Reconectta e de outras assessorias que acompanham os projetos e trabalham diretamente com as equipes pedagógicas.
“As formações são espaços de escuta, de estudo, de planejamento e de encorajamento. Quando a educadora ou o educador se sente seguro e apaixonado pelo tema, essa paixão transborda para a sala de aula. E a sala de aula é a escola”, destacou
Mais do que ensinar às crianças conceitos sobre meio ambiente ou mudanças climáticas, o percurso apresentado pela be.Living parte da construção de pertencimento. Primeiro à escola e à comunidade que está próxima. Aos poucos, à cidade, ao país e ao planeta. É dessa relação cotidiana com o outro, com o espaço coletivo e com a natureza que pode nascer uma postura mais consciente e comprometida diante do mundo.
“A Educação Ambiental na infância é, em última análise, um ato de amor e de responsabilidade com a humanidade. Que possamos continuar cultivando esse planeta juntos, dia a dia, com intenção, parceria e afeto”, concluiu a coordenadora.



