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MAC 2022: “Eu preciso destas palavras escritas”

A IX MAC – Mostra de Artes e Ciências da be.Living, é um convite para refletirmos sobre a importância da palavra. Com o título “Eu preciso destas palavras escritas” – inspirado em obra de Arthur Bispo do Rosário, a Mostra é o resultado final de um longo processo investigativo, reflexivo e criativo das turmas do Ensino Fundamental sobre o tema “Linguagens”.

A coordenadora Gabriela Fernandes conta que a ideia de trabalhar esse tema com as crianças surgiu de um questionamento da equipe pedagógica sobre a importância da palavra, das diferentes linguagens e, principalmente, sobre a relevância da linguagem científica no atual contexto planetário. “Vivemos em um tempo de muitos questionamentos em relação à ciência. A escola deve ser o espaço aonde se valida e se aprende a forma de produzir conhecimento científico. O tema da MAC veio deste grande questionamento sobre o que se está fazendo com a linguagem, sobre o porquê que se questiona tanto o conhecimento científico e sobre os processos de escrita, leitura e produção de linguagem nesses tempos de pós-modernidade. A escola, como um lugar de produção escrita, tem a convicção de que as palavras produzem sentido, criam realidades e são um importante mecanismo de construção humana. Decidimos olhar para essa questão, através da Ciência e da Arte, a partir de uma provocação inicial que é o trabalho de Bispo do Rosário” – afirma a coordenadora.

Nossa professora de Artes, Bruna Amaro, explica que o uso da palavra é uma forte característica no trabalho do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário. “Ao bordá-las, expressando reflexões à cerca do seu cotidiano e da sociedade, Bispo do Rosário nos oferece muitas possibilidades de entender a palavra não só como um caminho para o registro – a escrita, mas, também, como uma ferramenta de experimentação plástica, material e poética”. Ela afirma que a saída pedagógica realizada com as crianças no início do semestre para a exposição “Eu vim: aparição, impregnação e impacto” foi conclusiva para a escolha do tema da MAC. “As crianças mergulharam fundo em diferentes exercícios de escala, texturas, tridimensionalidade e projeções para o presente e o futuro através das obras impactantes de Bispo do Rosário. Se encantaram pela simplicidade dos materiais e ao mesmo tempo com a grande desenvoltura com que o artista coleciona esses materiais, da mesma forma como faz com as palavras”.

Neste ano, a MAC apresenta uma proposta diferente: apesar de cada Year ter se aprofundado numa pesquisa artística específica, os trabalhos de Arte expostos pelas crianças serão construídos coletivamente. “Propor um trabalho coletivo é compartilhar as responsabilidades em torno do que esperamos como resultado final de um projeto e, mais importante, é deixar evidente a intenção e a importância da participação de cada um nesse processo. Na realização dos trabalhos coletivos, as crianças passam a se sentir integrantes de um todo, e nesse todo, cada um é responsável pelo cuidado com as dinâmicas e com quem está fazendo parte dela. O trabalho coletivo também evidencia as dimensões que um projeto pode alcançar quando o fazemos juntos” – afirma a professora Bruna.

O trabalho “A origem da arte”, da artista Marilá Dardot, é uma das referências para a instalação coletiva em cerâmica “Cultivando a palavra/ Cultivating the word”. As letras do alfabeto serão produzidas por cada criança em argila,  levadas para queima e ficarão expostas no jardim da escola à disposição de quem quiser construir-cultivar as suas palavras.

A coordenadora Gabriela Fernandes explica porque a MAC é feita de Arte e de Ciência ao mesmo tempo. “Colocamos Arte e Ciência em um mesmo espaço porque entendemos que são duas áreas essenciais para o processo de compreensão e de transformação do mundo. São áreas em que o indivíduo consegue se ver muito participativo e integrante de um processo universal, de coletividade”.

Na área de Ciências, serão dois eixos de trabalho: “Matéria e Energia” e “Terra e Universo”. Dentro desses eixos, cada turma desenvolveu um processo profundo de pesquisa considerando seus interesses e universos particulares: bichos de pelúcias, grafite, álbum de figurinha, raios e trovões, luz, máquinas fotográficas, visão dos animais, terra e céu, construção de cidades e de moradias… “O processo investigativo das crianças é sempre vivenciado a partir de um protagonismo. A partir de um interesse deles, eles vivenciam todas as etapas de pesquisa: levantam uma pergunta, elaboram as hipóteses, realizam pesquisas para refutar ou validar essas hipóteses, e vão sempre buscar construir novas hipóteses ou novas perguntas ou trazer algumas soluções. Isso tudo é construído coletivamente porque eles trocam muito entre eles” – conta a coordenadora Gabi.

Gabriela afirma que a decisão de apresentar todo o conhecimento científico produzido pelas crianças em uma mostra é pautada em um ideal de educação que visa a formação de cidadãos críticos e socialmente atuantes. “A ideia é que eles produzam conhecimento ao longo do ano e compartilhem esse conhecimento. É ensinar que se você é um cidadão crítico e atuante você conta para o outro o que você aprendeu, você compartilha com o outro todos os seus conhecimentos”.

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