Assim como as crianças crescem em movimento, a educação também precisa se mover constantemente, abrindo espaço para novas perguntas, reflexões e olhares. Na be.Living, esse movimento acontece por meio das formações oferecidas às nossas educadoras e educadores, em uma prática de atenção contínua ao fazer pedagógico.
“É fundamental que a escola ofereça formações”, explica Gabriela Fernandes, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental. “É claro que a professora e o professor têm sua busca individual por desenvolvimento, isso faz parte do nosso ofício. Mas quando a escola promove esses encontros, ela também assegura a manutenção do projeto político-pedagógico, que pauta a forma da escola trabalhar. Não é apenas uma capacitação: é alinhar a prática com a visão de educação que construímos aqui.”
Gabriela explica que toda formação se sustenta em três eixos que se entrelaçam: o eixo pessoal, ligado ao compromisso de cada educadora e educador com seu próprio processo de transformação; o eixo institucional, que reafirma a escola como espaço formativo contínuo; e o eixo coletivo, que mobiliza a equipe inteira em torno de uma prática compartilhada. É nesse encontro entre dimensões individuais, institucionais e coletivas que o trabalho formativo ganha consistência e se traduz em impacto real dentro da escola.
Neste ano, duas temáticas conduzem os encontros: a Matemática e a Educação para as relações étnico-raciais. Na primeira, a assessoria da especialista Priscila Monteiro ajuda a equipe a consolidar a concepção de ensino da matemática na escola, ressignificando o currículo e as práticas de sala de aula. Gabriela destaca que esse processo não se restringe aos encontros coletivos, mas também envolve um acompanhamento individual próximo: “Se eu percebo que alguma professora ou algum professor encontra mais dificuldade para trabalhar certos aspectos da didática da matemática que acreditamos, levo essas reflexões para as reuniões individuais. Assim, conseguimos aprofundar juntos e garantir que a formação reverbere de fato no planejamento e nos processos diários de ensino-aprendizagens.”

Já a formação em Educação para as relações étnico-raciais está sendo conduzida pela educadora Luciana Alves. Mais do que um curso pontual, trata-se de um movimento contínuo que a escola faz questão de retomar. Em 2019, a be.Living já havia promovido uma formação potente sobre essa temática, e a retomada agora reafirma a importância de manter essa pauta sempre atualizada. “A formação em Educação para as relações étnico-raciais não pode acontecer uma única vez. Ela precisa voltar constantemente, porque a equipe se renova e porque o processo exige também uma dimensão pessoal de autorreflexão”, ressalta Gabriela. O objetivo é provocar a equipe a se engajar em um currículo consciente e antirracista, capaz de enfrentar o racismo estrutural e ampliar a presença da diversidade nos projetos escolares.
“Educação precisa ser movimento, assim como a própria vida”, completa Camila Maia, coordenadora pedagógica da Educação Infantil. “Os encontros de formação nos permitem dialogar a vida na escola com a vida em sociedade. Eles nos ajudam a ampliar repertórios culturais e pedagógicos, a provocar o olhar das professoras e dos professores para novas formas de pensar e agir.”
Camila conta que os encontros são planejados de modo a engajar todo o corpo educador. Em alguns momentos, reúnem as equipes de Educação Infantil e Ensino Fundamental, criando um espaço coletivo de troca. Em outros, se organizam por ciclos, contemplando as especificidades de cada etapa. A coordenação também acompanha de perto o percurso individual de cada educadora e educador, garantindo que o estudo reverbere nos planejamentos e, consequentemente, na prática cotidiana com as crianças.

Esse movimento de estudo e reflexão não se restringe apenas às professoras e aos professores titulares dos grupos. Há também um programa dedicado às professoras e aos professores assistentes, que participam de dez encontros anuais com produção final de autoria própria. “Apostamos nessa formação porque entendemos que o futuro da escola também está em preparar quem está se tornando professora ou professor”, comenta Gabriela. Essa aposta fortalece a ideia de que cada integrante da equipe é parte de uma comunidade de aprendizagem permanente.
Na prática, cada encontro é pensado para mobilizar, provocar e atravessar a experiência das educadoras e dos educadores. “Não são aulas expositivas”, observa Camila. “São provocações que transbordam para os projetos e para as relações cotidianas com as crianças.” Essa dinâmica faz com que a formação não seja algo isolado, mas parte orgânica da vida escolar, um eixo que alimenta os projetos e dá sentido às experiências de investigação, de arte, de cultura e de convivência.
E é justamente nesse transbordamento que está o sentido maior das formações. “Ao atravessar os adultos, as reflexões chegam até as crianças, seja em um projeto, em uma roda de conversa ou em um gesto cotidiano. Todo o processo formativo transborda para as crianças. É isso que garante que as formações façam sentido: transformar o olhar da educadora e do educador para que a experiência das crianças seja cada vez mais potente”, conclui Camila.



