Na be.Living, aprender sobre o mundo é também aprender a cuidar dele. A sustentabilidade não é apenas um tema de estudo, mas uma aprendizagem sobre como se relacionar consigo mesmo e com o próximo, e um modo de estar, pensar e agir em comunidade. É um exercício diário de consciência, presença e responsabilidade, que se expressa nos pequenos gestos, nas relações e nas escolhas cotidianas.
À frente da Reconectta, consultoria parceira da nossa escola, a engenheira ambiental Lívia Ribeiro acompanha de perto essa jornada, ajudando a transformar a sustentabilidade em uma prática viva, que envolve crianças, professoras, professores e famílias. Nesta entrevista, ela fala sobre a importância da COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) no Brasil, o papel das escolas na construção de um futuro possível e o poder transformador da educação.
be.Living: Qual é a importância de um evento como a COP para o planeta e para o momento planetário que vivemos?
Lívia: A COP é o principal fórum internacional para que os países negociem, dialoguem e construam acordos voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas. Reúne cerca de 200 nações em torno de decisões e compromissos globais, como o Acordo de Paris. É um espaço fundamental de diplomacia, política internacional e responsabilidade compartilhada. Mas a importância da COP vai além das decisões tomadas ali. Ela gera um “efeito colateral” positivo, mobilizando organizações da sociedade civil, empresas e governos a criarem, paralelamente, eventos, propostas e soluções inspiradas por esse encontro. Ou seja, o impacto da COP se estende muito além das salas de conferência, ela reverbera em todo o mundo.
be.Living: E qual é o significado de a COP 30 acontecer no Brasil, especialmente na Amazônia? Isso nos aproxima ainda mais das questões ambientais?
Lívia: A realização da COP 30 no Brasil é histórica, será a primeira vez que o evento acontece na Amazônia. O país-sede costuma trazer temas relevantes para o debate, e no nosso caso isso significa dar visibilidade às florestas, aos povos originários e à biodiversidade. Internamente, é uma grande oportunidade para o Brasil se posicionar como referência e liderança nas questões climáticas. Ao mesmo tempo, o evento também lança luz sobre os nossos desafios locais. Eu nunca vi tanta gente falando sobre a COP e sobre mudanças climáticas quanto agora, e isso é resultado direto de o evento acontecer aqui.

be.Living: Como as crianças têm recebido essa notícia?
Lívia: As crianças têm se mostrado muito interessadas. Querem entender o que é a COP, quem participa, como acontece. É bonito ver esse senso de pertencimento. Perceber algo tão importante acontecendo no próprio país desperta nelas curiosidade, orgulho e desejo de agir. Esse tema tem borbulhado nossas conversas, ações e sonhos de futuro.

be.Living: Você poderia falar um pouco sobre a Reconectta? Como ela surgiu e qual é o propósito desse trabalho dentro das escolas?
Lívia: A Reconectta nasceu em 2015 e, neste ano, completamos 10 anos de atuação. Nosso propósito é apoiar escolas e instituições na criação e no fortalecimento de uma cultura de sustentabilidade, algo que vai muito além de ações pontuais. Trabalhamos para que a sustentabilidade esteja presente de forma sistêmica, nos espaços físicos, nas relações humanas, nos processos e nas práticas pedagógicas. Queremos que ela seja um valor vivo, incorporado no dia a dia escolar.
be.Living: Qual é a importância de uma escola hoje ter uma assessoria em sustentabilidade?
Lívia: Acho que hoje é essencial. Diante dos desafios que enfrentamos enquanto sociedade e planeta, de emergência climática, uma escola que assume o compromisso com a sustentabilidade está assumindo também sua responsabilidade de compartilhar conhecimento sobre o assunto e assumindo seu papel de agente transformador na sociedade. Educar é também cuidar da Terra.
be.Living: O que isso revela sobre os valores da instituição?
Lívia: No caso da be.Living, isso reflete um compromisso profundo com o presente e o futuro das crianças, das pessoas e de todos os seres. É a escola reconhecendo sua responsabilidade de pensar soluções para os desafios do mundo e de formar seres humanos com valores de respeito, solidariedade, cooperação e consciência planetária. Além disso, o próprio Fórum Econômico Mundial aponta a sustentabilidade como uma das principais competências do futuro no mercado de trabalho. Então, quando uma escola trabalha isso desde cedo, ela está preparando as crianças para o mundo, tanto no sentido profissional como no sentido humano.

be.Living: Como essa assessoria acontece na prática, no dia a dia da escola?
Lívia: A nossa atuação é bastante próxima. Fazemos encontros de formação com toda a equipe: pedagógica, administrativa, cozinha, manutenção, porque todos educam e todos fazem parte da cultura da escola. Além dessas formações coletivas, realizamos acompanhamentos específicos com as professoras e os professores, grupo a grupo, ao longo de todo o ano. Esses encontros servem para criar coletivamente projetos, costurar o currículo e integrar sustentabilidade às práticas cotidianas. Também trabalhamos junto à liderança da escola, ajudando a pensar campanhas, eventos e ações institucionais. Monitoramos indicadores de consumo de água e energia, produzimos diagnósticos e relatórios, e apoiamos iniciativas com as famílias. É um programa completo, que oferece suporte em várias frentes, sempre com o objetivo de inspirar e consolidar uma cultura sustentável ampla, viva e participativa.
be.Living: A área de Ciências da MAC (Mostra de Artes e Ciências) deste ano tem a COP 30 como inspiração. Como surgiu essa escolha e de que forma ela se conecta à proposta pedagógica da be.Living?
Lívia: A MAC sempre reflete os valores e compromissos da escola. Em anos anteriores, o foco foi a relação com a natureza e entre as pessoas, e neste ano, em que a COP 30 será realizada no Brasil, o tema se impôs naturalmente, mas ele não veio do nada. Essa escolha é resultado de uma construção que vem acontecendo há muitos anos, de uma escola que pensa sustentabilidade, artes e ciências de forma integrada. O tema dialoga profundamente com o currículo e com as experiências das crianças. Falar de mudanças climáticas é também falar de convivência, de consumo, de modos de agir no mundo. Neste ano especial, em que a be.Living completa 25 anos, a MAC – que é um trabalho que acontece com as crianças do Ensino Fundamental, acontecerá um pouquinho diferente: a área das artes será contemplada na abertura do evento, que acontece no sábado, envolvendo também a Educação Infantil, e durante a semana a mostra enfocará na área das Ciências como forma de refletir, olhar para o passado e imaginar futuros possíveis. A COP 30 inspira esse movimento de consciência, das florestas à transição energética, da justiça social à economia circular. As crianças do Ensino Fundamental estão sendo convidadas a se posicionar, a propor soluções e a compreender que o futuro é uma construção coletiva.

be.Living: Que mensagem a be.Living deixa para a comunidade escolar ao unir a comemoração dos 25 anos a uma reflexão sobre o futuro do planeta?
Lívia: Acredito que a principal mensagem é de esperança ativa. Reconhecemos os desafios do mundo, mas também acreditamos profundamente no poder transformador da educação. A be.Living assume esse compromisso de colaborar para um mundo melhor, de formar crianças que pensem criticamente e atuem com responsabilidade. Falar de sustentabilidade é também garantir os direitos das infâncias, o direito de viver em um planeta saudável, equilibrado e justo. Essa visão está enraizada em tudo o que a escola faz. É um valor essencial, que permeia o cotidiano, os projetos e as relações. E é essa consciência que queremos continuar cultivando, juntas e juntos, por todas as formas de vida.



