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Aprendendo sobre os direitos civis no contexto da pandemia

Pensar sobre “direitos civis” dentro do contexto de pandemia tem sido tão fundamental como desafiador. Afinal, o direito civil é um olhar para o coletivo, para a união e para a igualdade, e é uma busca que se faz comunitariamente, por uma vida mais harmoniosa para todas as pessoas.

Há alguns anos, o projeto “Direitos Civis” integra a base curricular do Year 5 e, neste momento, vem sendo ressignificado e ganhando novas cores, respondendo à nova realidade que se apresenta de estarmos, em grande parte do tempo, separados. É o que explica a professora Flávia Belletati, professora do currículo bilingue do 5º. ano.

“Às vezes, é difícil lembrar que somos um coletivo quando estamos isolados em nossas casas. Este trabalho traz essa lembrança, sobre a importância de entendermos qual é o papel que o indivíduo desempenha dentro do atual contexto social. Então, ao mesmo tempo que foi um grande desafio, foi também muito bem vindo porque ampliou e diversificou um debate que já vem sendo realizado com as turmas de Year 5. A discussão sobre a vacina, essa ideia de estabelecer um pacto social em prol de toda a sociedade, de que se todos tomarmos a vacina ajudaremos a proteger os mais vulneráveis, é um exemplo de ideias que transparecem um mesmo conceito que vem sendo discutido de direitos civis nos últimos anos mas de uma forma diferente”.

A professora conta que por esse estudo pertencer ao currículo internacional, há um enfoque na história dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que esta pauta também está sendo trabalhada no currículo de língua portuguesa, pensando nos contextos brasileiros. “É interessante para a criança poder ver outros contextos que não somente o brasileiro, porque ela entende que, historicamente, não tem leis universais como há nas ciências naturais. Ela vai desenvolver a compreensão de que todos os exemplos históricos não vão acontecer da mesma forma, que cada caso é um caso, com diferentes contextos políticos, históricos, culturais e geográficos.  Ao mesmo tempo, a criança percebe que existem alguns conceitos que as ciências humanas nos trazem, que permitem que a gente consiga verificar esses diferentes exemplos sobre uma mesma luz, tentando entender comparações e similaridades entre esses processos. No caso do currículo do Y5, estamos estudando como os direitos civis foram estabelecidos no contexto norte-americano e, dentro desse contexto, a importância dos grupos afro-americanos que possuem papel essencial nessa luta por direitos e que contribuíram particularmente para a forma como as leis foram estabelecidas dentro dos EUA. A ideia é que, a partir do momento que se observa o exemplo dos EUA, seja possível começar a desenvolver ferramentas de análise de qualquer outro contexto democrático que esteja dentro desse parâmetro do Ocidente. São ferramentas conceituais que a criança vai desenvolvendo”.

Para que essa seja uma aprendizagem significativa, o trabalho acontece da forma menos abstrata possível e o mais próximo que puder do campo da experiência da criança. “Ao mesmo tempo que apresentamos os exemplos dos EUA, a gente vai pensando como isso se estabelece dentro da escola e da sala de aula. ‘As crianças têm direitos? Quais direitos são esses? Quais direitos e responsabilidades cada indivíduo possui dentro daquela sala? Estamos exercendo nosso papel como bons estudantes? Como o que cada criança faz pode influenciar o aprendizado de outra criança?’. Então, com todos esses questionamentos, a criança vai compreendo que há uma responsabilidade individual para que se estabeleça uma harmonia coletiva e, da mesma forma como no contexto dos EUA houve essa luta e resistência dos grupos afro-americanos para questionar e modificar leis que eram injustas, podemos pensar no contexto em que vivemos. ‘Como vocês lidam com as diferenças dentro do contexto da nossa sala de aula? Quais são as diferenças que existem aqui?’ Questões como essa vão norteando uma reflexão para que, a partir da história dos EUA, possamos paralelamente, e depois no segundo trimestre com maior vigor, fazer essa análise de um contexto próprio”.

A professora conta que no segundo trimestre, o Year 5 tem outro projeto que é o de construir a Constituição da turma, um momento em que as crianças têm a oportunidade de aplicar todas essas ferramentas teóricas para pensar o contexto que vivenciam.

“Elas entendem que são atuantes na democracia, que são cidadãs e cidadãos, que há um objetivo para estar na escola, elas questionam esse motivo, entendem o que é justo e injusto, começam a esmiuçar isso. Estamos plantando sementes para que elas tenham autonomia para refletir sobre os papeis na escola, sobre o que pretendem fazer e questionar, e que elas podem ser agentes de transformação consciente, ou seja, que não se trata de mudar por mudar, mas que podem buscar mudanças com responsabilidade perante o coletivo”.  

Este tipo de projeto é muito valorizado na be.Living porque  faz com que as crianças conquistem maior entendimento sobre de que maneira podem afetar o outro, aumentando a empatia e entendendo que estamos todos aqui, com os mesmos objetivos e trabalhando, cada qual ao seu modo, para atingir esses objetivos, como conclui a professora Flávia. “Algumas crianças com mais maturidade, outras com menos, respeitando a natureza e o tempo de cada ser. Mas sinto que para todas elas, pensar sobre os direitos civis traz um impacto profundo sobre a forma de lidar com o conhecimento, com a escola e com responsabilidade sobre os colegas dentro do contexto educacional. Na quarentena, esse projeto ganhou uma outra dimensão: de nos lembrar que existe uma unidade que transcende os espaços físicos e que por mais que estejamos separados fisicamente estamos unidos por esses mesmos objetivos, valores e por essas mesmas buscas”.

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