Há momentos na vida escolar que pedem pausa, escuta e preparação. A passagem do Year 2 para o Year 3, do Ensino Fundamental, é um desses marcos. Não se trata apenas de avançar um ano na trajetória escolar, mas de atravessar um desafio pedagógico, cognitivo e emocional importante no desenvolvimento das crianças. Na be.Living, essa etapa é pensada com intencionalidade, cuidado e profunda responsabilidade educativa.
A organização do Ensino Fundamental em nossa escola se dá por ciclos, e essa lógica começa ainda no final da Educação Infantil. O percurso formado pelo Blue, Year 1 e Year 2 compõe o primeiro ciclo, com foco no processo de alfabetização. “O Blue inicia uma pré-alfabetização, e o Year 1 e o Year 2 realizam um trabalho de alfabetização mais sistemático, nas duas línguas”, explica a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental, Gabriela Fernandes. É nesse período que as crianças vão, progressivamente, se apropriando da leitura e da escrita, construindo bases sólidas para a relação com o conhecimento.
Ao final do Year 2, a escola compreende que a maior parte das crianças já alcançou esse processo de alfabetização. Mas o que isso significa, na prática? A coordenadora afirma que para além de decodificar palavras, alfabetizar-se é tornar-se capaz de ler, compreender, interpretar e inferir sentidos a partir do texto. “A gente entende que a alfabetização culmina numa criança que lê, interpreta o que lê e consegue interagir com o texto”, destaca a coordenadora. É esse domínio, segundo ela, que abre caminho para uma mudança significativa no modo como a criança passa a ser vista dentro do ambiente escolar.

A entrada no Year 3 marca o início de um novo ciclo dentro do Fundamental I. A partir desse momento, a escola começa a olhar para a criança como estudante, considerando seu desenvolvimento psicológico, motor e cognitivo, já no fechamento do primeiro setênio. “A gente começa a olhar para essa criança num perfil mais estruturado e específico de estudante. Que estudante é essa? Que estudante é esse? Como ela ou ele respondem às demandas?”, questiona a coordenadora, apontando para a complexidade dessa nova etapa.
Essa mudança se reflete também na organização pedagógica. Enquanto os anos iniciais são estruturados de forma semestral, o Year 3 inaugura uma lógica trimestral, que seguirá até o Year 5. Com isso, as crianças passam a ter contato com processos avaliativos mais estruturados, alinhados aos modelos da educação contemporânea. “Entram as avaliações para dentro do processo, mas como avaliação formativa, que visa o desenvolvimento do estudante em relação a essa ferramenta. O foco não está apenas no resultado, mas em como a criança compreende o processo avaliativo, se apropria dele e cresce a partir dessa experiência”, explica Gabi.
É justamente por essa mudança de lógica que a transição se torna tão essencial. Ela não envolve apenas as crianças, mas também as famílias. No Year 3, surgem as orientações de estudo, que passam a ser levadas para casa. Essas atividades estão diretamente ligadas ao processo de avaliação e exigem uma nova postura da estudante e do estudante. “As famílias começam a participar mais da vida escolar das crianças, pois até então, as crianças não levaram tarefas para fazer em casa”, afirma a coordenadora, ressaltando que esse movimento é planejado e comunicado com clareza.
Até o Year 2, a escola evita enviar tarefas para casa porque entende que, durante a alfabetização, a atividade tende a se deslocar para o adulto, e não para a criança. “A ideia é que a criança consiga fazer todas as atividades com autonomia”, reforça. A partir do Year 3, quando se espera que a alfabetização esteja consolidada, esse cenário muda, e o envolvimento dos familiares passa a ser parte fundamental do processo.

Para sustentar essa transição, a escola promove reuniões específicas com as famílias e compartilha documentos detalhados, nos quais explicita expectativas, combinados e a postura esperada das estudantes e dos estudantes. O acompanhamento também se intensifica: as professoras passam a atender as famílias três vezes ao ano, em vez de duas, fortalecendo o diálogo e o olhar individualizado. “A gente começa a traçar e entender os perfis dessas crianças, ver quais ferramentas elas adquirem com mais facilidade, onde precisam de mais apoio e quem vai precisar de atividades adaptadas”, explica.
Trata-se de um processo avaliativo profundo, contínuo e compartilhado. Um trabalho construído a muitas mãos, que envolve escola, professoras, professores e famílias, sempre com o olhar atento ao desenvolvimento integral de cada criança. Mais do que preparar para o Year 3, esse cuidado prepara o caminho até o quinto ano e, mais adiante, para os desafios do Ensino Fundamental II.
Na be.Living, atravessar etapas é sempre um ato de consciência. E cuidar dessa passagem é reconhecer que aprender também é crescer, em seu tempo, em autonomia, responsabilidade e na relação com o mundo.




