A estudante avança com a bola, dribla um adversário e toca para o colega que está livre na área. Ele domina, finaliza e… é gol da Argélia! Assim, entre múltiplas cores de bandeiras, cooperação e diversão, acontece a Copa be.Living, torneio inspirado na Copa do Mundo de Futebol, em que o esporte torna-se uma oportunidade potente e significativa de aprendizado, convivência e mergulho cultural.
Neste ano, as equipes representam países de diferentes continentes, muitos deles pouco conhecidos pelas crianças. A escolha é intencional: em vez de reproduzir as seleções mais populares do futebol mundial, a proposta amplia horizontes e convida as estudantes e os estudantes a conhecerem culturas, histórias e realidades que raramente ocupam o centro das atenções na Copa do Mundo.
“Os países que escolhemos não são os mais famosos, como Brasil, França, Argentina. São países mais desconhecidos, muitas vezes, que nunca participam das Copas. As crianças fazem as bandeiras, pesquisam e acabam descobrindo mais sobre esses lugares”, explica o professor de Educação Física Fábio Cabianca.
A iniciativa dialoga com investigações e reflexões que já fazem parte do cotidiano escolar. Em outras áreas do conhecimento, as crianças acompanham acontecimentos do mundo, fazem perguntas, pesquisam e constroem coletivamente conhecimentos sobre diferentes contextos e sociedades. A Copa surge, então, como mais uma oportunidade de ampliar esse olhar.
Segundo Fábio, muitas vezes as próprias crianças estabelecem conexões entre os países representados e temas da atualidade. “Quando começamos a falar da Copa, eles perguntavam sobre países que aparecem nas notícias, sobre guerras e outros acontecimentos. Eles estão atentos ao que acontece no mundo.” Nesse contexto, o esporte aparece como um espaço de reflexão e de encontro possível para que pessoas de diferentes origens possam compartilhar objetivos, experiências e interesses em comum.

“Como todo torneio desportivo mundial, a Copa do Mundo é uma possibilidade de integrar países de todos os continentes. O esporte pode ser um instrumento para unir todas as pessoas buscando equidade em muitos sentidos. Os times da be.Living, por exemplo, são mistos, meninos e meninas participam juntos, e vemos muitas meninas empolgadas com o futebol e com a Copa”, destaca o professor.
Além dos aprendizados relacionados à diversidade cultural, o projeto também trabalha habilidades importantes para a convivência. Em um torneio, nem todos vencem, e lidar com vitórias e derrotas faz parte do processo. “Ninguém gosta de perder, mas o esporte contribui para a aprendizagem de lidar com frustrações. Além disso, o futebol é um jogo coletivo, onde é impossível resolver tudo sozinho. É um ensino para viver coletivamente”, afirma.
A autonomia também ganha espaço durante a competição. Sem técnicos, são as próprias crianças que precisam tomar decisões sobre a organização das equipes, definir estratégias e pensar coletivamente nas substituições de jogadoras e jogadores. O papel do educador é acompanhar e garantir que todos tenham a oportunidade de participar.
Outro aspecto valorizado é o respeito ao adversário. Ao longo dos jogos, as crianças são constantemente convidadas a refletir sobre a diferença entre competir e rivalizar. “Nós conversamos bastante sobre isso. Durante o jogo, cada um defende seu time e quer ganhar. Mas, quando a partida termina, eles continuam sendo amigos”, conta Fábio. A reflexão é inspirada também pelo universo do esporte profissional, em que atletas que se enfrentam em campo muitas vezes compartilham clubes, amizades e trajetórias fora das competições.
Mais do que definir campeãs e campeões, a Copa da be.Living propõe uma experiência em que colaboração, respeito, curiosidade e senso de pertencimento caminham lado a lado. Uma oportunidade cheia de significado para que as crianças vejam que as diferenças existem e podem ser celebradas, conhecidas e compreendidas por meio do encontro.




