“A beleza do arco-íris é acessível a todos. Mas quem sabe que em cada gotícula de água ali presente acontece um fenômeno chamado refração, responsável por dividir a luz naquele espectro de cores, tem uma experiência diferente.” A reflexão apresentada por H. E. Huntley, no livro The Divine Proportion, nos convida a pensar que o conhecimento amplia a experiência sensível do mundo. Não se trata apenas de ver, mas de compreender o que se vê. Assim, por meio da matemática, é possível aprender a ler o mundo de outra maneira.
Na be.Living, entendemos a matemática como uma forma de interpretar, representar e se relacionar com o mundo, indo muito além da aplicação de regras ou da repetição de procedimentos. Ela é concebida como uma linguagem, um modo de pensar e de organizar a experiência. Com o objetivo de fortalecer essa perspectiva no ensino e na aprendizagem da matemática, realizamos uma formação com nossas professoras e nossos professores, conduzida pela especialista em Educação Matemática, Priscila Monteiro.
“A be.Living se apoia na didática da matemática para pensar o nosso trabalho, tanto na Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental. Pensar na didática da matemática é pensar em como nós vivemos esse processo de ensino e aprendizagem olhando para a matemática como uma linguagem, como uma forma de estar no mundo e de compreendê-lo”, afirma Gabriela Fernandes, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental.
Essa concepção dialoga com estudiosos que defendem a aprendizagem como um processo ativo, investigativo e significativo. Para o pesquisador Guy Brousseau, aprender matemática implica criar, na escola, uma comunidade matemática em que as crianças possam enfrentar problemas, discutir estratégias, argumentar e construir sentidos coletivamente. “Assim como se aprende a falar falando, aprende-se matemática fazendo matemática”, explica Gabriela.
Na prática, isso significa propor situações em que as crianças possam pensar, experimentar, errar, registrar e revisar suas ideias, construindo conhecimentos a partir de experiências que façam sentido. “Para as crianças dessa faixa etária, a matemática precisa estar muito associada com o mundo em si. A aprendizagem só acontece quando ela tem significado, quando a criança consegue se conectar com aquilo que está sendo proposto. Por isso, a matemática aqui é muito pautada em jogos, em situações em que as crianças se sentem seguras, envolvidas e interessadas, porque é assim que elas conseguem compreender esse funcionamento lógico e se apropriar do conhecimento”, explica Gabriela.

A decisão de realizar uma formação em matemática surgiu da compreensão de que o currículo é um organismo vivo, que precisa ser constantemente revisitado. Além disso, segundo a coordenadora, muitas educadoras e educadores carregam histórias pessoais de distanciamento da matemática, já que a área, socialmente, ainda é vista como difícil, rígida ou inacessível. A formação, nesse sentido, também se coloca como um espaço de ampliação de repertório e de ressignificação da relação com a matemática.
“Trazer a formação para dentro da escola é revisitar essa área, entender as mudanças que estão acontecendo hoje no processo de ensino e aprendizagem e convidar as professoras e os professores para um olhar ampliado para esse campo do conhecimento. Quando bem trabalhada, a matemática vira prazer, e não sofrimento”, afirma.
O percurso formativo começou com encontros conjuntos entre as equipes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, com o objetivo de refletir sobre qual é a matemática da be.Living: o que se quer ensinar, como se quer ensinar e que experiências se deseja proporcionar às crianças. Em um segundo momento, as equipes se separaram para analisar seus currículos de forma mais aprofundada, identificando pontos de fortalecimento e aspectos que precisavam ser revistos.
“A partir dessa análise, nós vamos fazendo, ao longo do tempo, as mudanças necessárias. É um processo que traz muita expectativa, porque a matemática é uma área desafiadora”, conta Gabriela. Um dos pontos centrais dessa concepção é o papel do professor e da professora como alguém que formula boas perguntas, criando condições para que as crianças avancem em seu pensamento.


“A matemática em que nós acreditamos é uma matemática em que as professoras e os professores precisam estar sempre prontos para boas perguntas. As melhores respostas são sempre oriundas de boas perguntas. As crianças nos surpreendem com questões que muitas vezes nós nem tínhamos pensado”, reflete. Para isso, segundo ela, é fundamental que as professoras e os professores se aprofundem no currículo e compreendam que o currículo de matemática não é apenas o que está explícito, mas também o que sustenta as escolhas pedagógicas.
A expectativa é que a formação repercuta diretamente na aprendizagem das crianças. “Nós temos muita certeza de que a formação da equipe impacta a aprendizagem com muita assertividade. Principalmente porque nossas professoras e nossos professores são muito comprometidos com o fazer pedagógico e com os estudos”, afirma Gabriela. Segundo Gabi, o impacto já começa a aparecer nas propostas que chegam às aulas, inspiradas pelas discussões e reflexões trazidas na formação.
Para 2026, a escola espera consolidar esse olhar sobre o currículo de matemática, acompanhando com clareza as progressões de aprendizagem das crianças. “A nossa intenção é encerrar o ano vendo com muita nitidez esses avanços e satisfeitos com o currículo que nós construímos, para que ele continue sendo vivido, ampliado e aprofundado nos próximos anos”, conclui a coordenadora.
Assim, aprender matemática na be.Living é ampliar a forma de ver o mundo, como quem, ao compreender o fenômeno do arco-íris, passa a experimentar sua beleza de maneira ainda mais profunda.




