be.Living

Segunda Sem Carne

Nos últimos tempos, o planeta vem dando sinais de desequilíbrio e convocando toda a sociedade para refletir sobre novas formas de viver que sejam pautadas por maior consciência, harmonia e responsabilidade.

Pensando em atender a este chamado tão importante e vital, e tornar a escola um espaço mais sustentável onde todos possam estar envolvidos na construção de um futuro próspero e possível, a be.Living aderiu, no ano passado, ao movimento mundial Segunda Sem Carne.

 

 

Trata-se de uma iniciativa que surgiu em 2003 nos Estados Unidos e se expandiu para outros países do mundo, com o objetivo de diminuir a demanda coletiva por produtos de origem animal, gerando benefícios para a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.

Para colocar a ideia em prática, de uma forma democrática e com o devido conhecimento de causa, contamos com a ajuda de nossa assessora para questões relacionadas à sustentabilidade, Livia Ribeiro, que é engenheira e educadora ambiental e diretora da Reconectta. Ela levou a discussão para crianças, famílias e funcionários sob o ponto de vista das estatísticas, apresentando os impactos reais que uma ação coletiva como esta pode gerar ao meio ambiente.

“O consumo da carne é uma das principais causadoras de impacto ambiental em termos de mudança climática, de consumo de água e de desmatamento”, explica Lívia. Ela reconhece que diminuir este impacto socioambiental por meio da alimentação em um país como Brasil – que possui uma cultura alimentar fortemente arraigada na carne, é desafior, mas perfeitamente possível. “Na be.Living, houve um período natural de adaptação, em que dialogamos muito e compartilhamos estudos e informações da maneira mais participativa possível. Promovemos atividades específicas para os alunos e roda de conversa com as famílias e com os funcionários da escola, conscientes de que o processo de implantação seria naturalmente mais lento para que, aos poucos, fosse trazida uma compreensão das pessoas sobre o objetivo e o real impacto desta ação”.

Neste processo de apresentar uma nova cultura alimentar para as crianças, de maneira prazerosa e significativa, como forma de aprendizagem, a escola contou, também, com a participação de Cristiane Cedra, nutricionista da be.Living.

Ela explica que a elaboração do projeto foi pensada com muita calma e carinho, e que foram várias fases até a efetiva implementação da Segunda sem Carne. Uma etapa muito importante foi orientar e tirar as dúvidas dos professores, alinhando com eles ideias e falas, para que todos se sentissem preparados para a implantação do projeto. Outro momento essencial foi realizar um trabalho com as crianças do Ensino Fundamental que permitisse a descoberta de novos sabores por meio de degustações. “Uma vez por semana, apresentamos pratos que poderiam ser servidos na Segunda sem Carne. Depois de provar, as crianças votavam, manifestando se achavam as comidas gostosas ou não, e se poderiam entrar para o cardápio. Então, as crianças participaram muito ativamente do processo, adorando votar, e percebemos que houve, ali, um entusiasmo muito grande”.

 

 

Cris compreende que o processo de aceitação para novos hábitos alimentares pode levar um tempo e que as crianças estão, ainda, em fase de transição. “Elas entendem o porquê do projeto. Fizemos uma nova votação para verificar, novamente, se eram a favor ou contra e elas são a favor da Segunda Sem Carne. Mas a aceitação dos novos pratos será construída aos poucos, com a participação ativa das crianças, que dão retorno sobre o que elas estão gostando ou não. Vou observando a aceitação refeição a refeição, e vou testando como colocar mais de uma proteína vegetal, além do feijão que já tem no prato base da escola. Este é o nosso trabalho: ter a delicadeza no olhar para entender o que elas apreciam e, a partir daí, fazer um prato bem caprichado, bonito, saboroso e apetitoso”.

 

 

Para ampliar as possibilidades e a aprendizagem, a equipe da cozinha recebeu, no início do ano, um treinamento com o eco-chef Gilberto Bassetto, especialista em reeducação alimentar, saúde e química dos alimentos.

Buscando sempre ajuda, e com temperos como paciência, perseverança e capricho é possível ir, gradativamente, transformando hábitos antigos e conquistando novos olhares e propósitos. No caso da alimentação, pitadas de afeto, sabor e criatividade fazem toda a diferença no processo. A saúde do nosso corpo e do nosso planeta agradecem!

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