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Metacognição é a capacidade que temos de observar, entender e avaliar nosso processo cognitivo. É estar consciente da aprendizagem, refletindo sempre sobre o que, como e por que aprender, e utilizar estratégias para favorecer a construção do conhecimento. É uma habilidade que pode ser desenvolvida desde a primeira infância, quando as crianças estão, ainda, na Educação Infantil.

Perceber o espaço do corpo nos momentos de roda, sentar de forma organizada para ter maior atenção nas atividades dirigidas, compreender o outro no convívio, saber o porquê e como cuidar dos materiais. São procedimentos comportamentais como esses, relacionados ao indivíduo e ao coletivo, e ao uso dos espaços e do tempo, que vão sendo marcados, com a ajuda das professoras, na rotina escolar dos pequeninos, favorecendo o desenvolvimento consciente de uma postura de estudante.

“Muitas vezes, principalmente após o contexto de pandemia – em que vivenciamos o desafio de um isolamento social, as crianças vêm para a escola para correr, brincar e extravasar energia. A escola tem o tempo da brincadeira livre, que é muito importante, mas tem também o tempo das atividades dirigidas, de uma exploração e investigação mais aprofundada, em que a criança vai conquistar habilidades como conseguir se organizar, antecipar os eventos e realizar o que se espera nas situações de rotina” – afirma Camila Maia, coordenadora pedagógica da Educação Infantil da be.Living.

Camila explica que a metacognição é um processo muito importante dentro da Educação Infantil. “É uma oportunidade que as professoras dão para que as crianças participem de uma forma ativa de seus processos de avaliação, sinalizando para elas onde elas estavam em determinado momento da construção do conhecimento e onde elas chegaram, algumas vezes apontando os desafios e estabelecendo novos objetivos”.

Ela conta que este é um processo contínuo, construído em conjunto com as crianças e com o grupo, de modo que todos possam perceber os ganhos que estão tendo, os desafios que estão enfrentando e, juntos, possam pensar e traçar estratégias para avançar em sentidos diversos.

“Esse trabalho fica muito nítido no grupo das crianças maiores, do Blue, que têm 5 e 6 anos, onde há uma sistematização maior do conhecimento. Mas com os pequenos, isso também é muito possível. Por meio de imagens e de vídeos, as professoras compartilham com as crianças seus processos evolutivos. Por exemplo, uma criança que teve uma adaptação mais exigente, que chorava muito para entrar na escola, que ficava só na chupeta, vai poder se observar nessa linha de tempo e perceber que, hoje, depois de dois meses na escola, está apresentando um outro comportamento, brincando mais e se envolvendo com os pares e com as atividades.  É muito importante esse momento de registrar e concretizar os avanços que foram conquistados por elas. É uma forma da criança tomar consciência de seu potencial e de fortalecer, em sua vida, as potências que vão sendo criadas e reveladas aqui na escola”.