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No ambiente da escola, os pequenos da Educação Infantil são convocados, o tempo todo, a serem responsáveis por si próprios e pelo coletivo, cuidando dos pertences, dos espaços e desenvolvendo, dentro da rotina diária de aprendizagem, suas conquistas de autonomia.

“É importante esclarecer que quando falamos de autonomia para crianças da Educação Infantil, não estamos falando de autonomia moral, que é uma construção que vai acontecendo progressivamente ao longo dos anos até que, por volta de 11 anos, a criança tenha condições de fazer escolhas a partir de uma compreensão moral, de uma apropriação do que é o certo e o errado, do que é o bem e o mal. Quando falamos de autonomia na Educação Infantil, estamos falando da conquista de autonomia nas ações do cotidiano, ou seja, da possibilidade de a criança exercer com independência algumas funções no dia a dia” – explica Camila Maia, coordenadora pedagógica do Ensino Infantil da be.Living.

Camila afirma que é possível fortalecer a autonomia da criança também no ambiente da casa e para estas férias de julho, ela sugere dicas que podem ajudar a desenvolver e validar as conquistas das crianças no dia a dia.

“É interessante que a criança possa se responsabilizar, dentro de alguma medida, pelas ações que passam pelo seu próprio corpo: que ela comece, por exemplo, a escovar os dentes para que depois o adulto assuma e finalize a limpeza, que ela tente vestir sozinha as meias e calçar os sapatos, que ela ajude a tirar a roupa e colocar a roupa. Trazer a criança para participar de ações do coletivo também é bem importante, como na hora de almoçar ou jantar, pedir ajuda para ela arrumar a mesa, se responsabilizando pelos guardanapos, por exemplo. É uma maneira de fazer com que a criança se sinta um integrante ativo nesse ambiente coletivo e que ela vá entendendo as funções que pode exercer ali. Isso fortalece a criança”.

A coordenadora completa ressaltando a importância de a criança fazer escolhas. “A conquista da autonomia passa muito pelo processo de fazer escolhas: escolher do que quer brincar, escolher a roupa que vai vestir, escolher a comida que quer comer. É claro que quando falamos de escolhas neste contexto da criança não vamos abrir um leque inteiro para ela, mas podemos abrir para que ela escolha entre duas opções como, por exemplo, entre duas roupas, qual ela escolhe vestir, ou entre dois alimentos, qual é o da sua preferência naquele dia. Com isso, os adultos vão dando chance para que a criança vá entrando em contato com suas preferências, com aquilo que gosta e que não gosta, e que vá constituindo a sua autonomia atrelada à sua identidade”.

A criança que consegue se vestir, guardar as suas coisas, escolher suas roupas e contribuir com as tarefas de casa compreende que ela tem potência. Por isso, criar oportunidades na rotina da casa que validem sua independência e ajudem o desenvolvimento de sua responsabilidade e sua capacidade de fazer escolhas é um ato de dedicação e amor que afetará diretamente em seu sentimento de confiança e autoestima.