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Na be.Living, a alimentação é parte do nosso processo pedagógico. Entendemos que é papel da escola ajudar a construir, juntamente com a criança, uma relação consciente e saudável com o alimento.

Quando pensamos no espaço da escola e em tudo o que esse espaço pode oferecer para as crianças, não deixamos de fora a “hora do almoço” – um momento prazeroso de partilha, em que as crianças olham nos olhos umas das outras, adquirem consciência do que estão colocando para dentro de seus corpos e compreendem que a comida é um alimento para o corpo e também para a alma.

É na infância que a criança tem a oportunidade de experimentar diferentes comidas e sabores, começando a construir vínculos com os alimentos e a desenvolver relações entre sentidos, memórias e sensações de prazer. Essa primeira vivência com a alimentação é muito importante para o ser humano, impactando-o por toda a sua vida.

Ao planejarmos o retorno às aulas presenciais, refletimos sobre como lidaríamos com a questão do almoço no cenário de pandemia. E decidimos que não iríamos retirar das crianças esse momento de aprendizagem que é tão significativo para elas, nos comprometendo a enfrentar esse desafio da maneira mais responsável possível, cumprindo rigorosamente com todos os protocolos de segurança.

Assim, entre placas de acrílico e distantes 1,50m umas das outras, as crianças voltaram a ocupar esse importante espaço de autonomia, passando a se olhar mais uma vez nos olhos e a partilhar dessa experiência enriquecedora em que se adquire conhecimento com prazer, alegria e na companhia dos seus pares.

Com o retorno de nossos estudantes, a escola está recuperando novamente sua função social e devolvendo para cada criança esse espaço comum de troca que foi lhe foi retirado em 2020, afetando diretamente sua saúde mental e emocional.

Para nossa nutricionista, Cristiane Cedra, a hora do almoço está sendo muito importante para as crianças nesse contexto de pandemia. “Elas foram privadas de muitas atividades com o distanciamento social. As famílias não se encontram mais com amigos e familiares aos fins de semana e não há mais confraternizações e comemorações de aniversários.  Abrir essa oportunidade é essencial para que as crianças voltem a sentar com os amigos, para que tenham um momento de descontração, comam uma comida saudável preparada com muito carinho, desenvolvam autonomia e tenham favorecida sua educação nutricional. Não estamos medindo esforços para oferecer um ambiente seguro e o mais prazeroso dentro do possível neste momento”.

Cris explica que os procedimentos para o controle do vírus estão sendo seguidos à risca. “As mesas têm acrílico, as crianças sentam respeitando o distanciamento de 1,50m no refeitório, o prato é servido à la carte. Na cozinha, seguimos rigorosamente as regras das boas práticas de manipulação. Temos equipe treinada para porcionar e servir as refeições minimizando os riscos do contágio. As crianças ganharam da escola um porta-máscaras identificado para colocar máscaras sujas separadas das limpas. Não existe aglomerações no refeitório e nos banheiros nem antes, durante ou depois das refeições”.

Ela conta que estes primeiros dias de almoço têm sido muito gratificantes. “O clima é sempre agradável e as crianças estão respeitando as orientações. Encontramos alguns desafios com relação à aceitação alimentar, o que já era esperado devido ao tempo que as crianças ficaram fora da rotina do almoço escolar. Quando a gente vê que as crianças pararam de aceitar, a gente dá um passo para trás. Retomamos novamente um processo de conscientização e mudamos quando elas estiverem preparadas para aceitar o novo”.

É importante dizer que a escola é um espaço de procedimentos que regula o comportamento da criança. Na hora do almoço, por exemplo, todos os procedimentos do almoço ajudam a compor uma rotina que culmina em efetivos aprendizados. Assim, o almoço da escola tem voltado a contribuir com o processo de aprendizagem dos nossos pequenos e nós, enquanto escola, estamos muito felizes por proporcionar novamente esse momento para as crianças.